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projeto   veio e forma

Eu e Tu, Martin Buber¹

 

“O mundo como experiência diz respeito à palavra princípio EU-ISSO. A palavra princípio EU-TU fundamenta o mundo da relação. A palavra princípio EU-ISSO não pode jamais ser proferida pelo ser em sua totalidade. A palavra princípio EU-TU só pode ser proferida pelo ser na sua totalidade.”

 

“Eu não posso experienciar ou descrever a forma que vem ao meu encontro; só posso atualizá-la. [...] Eu estou numa autêntica relação com ela; pois ela atua sobre mim assim como eu atuo sobre ela.”

 

¹ Trechos retirados de: BUBER, Martin. Eu e Tu. Tradução do alemão, introdução e notas por Newton Aquiles Von Zuben. 10. ed. São Paulo: Centauro, 2001.

 

Original de uma afinidade com a materialidade da madeira, que como símbolo de busca pela luz, se expande do núcleo mínimo da inconsciência terrena, cria raízes e mira em direção ao céu, surgiu uma vontade de trabalhar sua matriz expressiva. Um olhar atento e sincero às formas da natureza, revelam a ausência de qualquer geometria racionalizada, as ‘formas orgânicas’ não possuem patentes nem nomenclaturas, mas no entanto, existem e expressam individualidade e anseio de serem percebidas.

 

O seguinte projeto surge da fusão daquela materialidade com esse repertório formal, dentro de um espaço de experimentação. Na valorização da relação exclusiva ao instante do EU artista com o TU forma e matéria. Destituído de projeto, desenho ou imagens concretas do que viria a ser o produto final, me lancei ao risco, de manter a integridade dessa relação existencial formadora durante o processo. A relação como princípio da criação

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da matriz aos galhos

 

De maneira resumida o processo se iniciou com o trabalho de corte e lixamento de tacos de madeira de diferentes tamanhos que se transformaram em 22 peças que compuseram um vocabulário formal. Essas matrizes exploradas primeiramente pela superfície, revelam a resistência do veio perante a tinta, verdade material impressa nas inúmeras xilogravuras realizadas em quatro tardes de extensa experimentação semântica e cromática. O abandono da bi-dimensionalidade da matriz já dotada de cor para assumir seu valor escultórico, se deu na etapa final desse processo. Bem como a composição das formas impressas resultam na gravura, a composição como elementos espaciais, resultaram na instalação. Pequenos ganchos foram pregados às peças, possibilitando a amarração de fios que articulam a matriz aos galhos de uma grandiosa Tipuana.

A montagem da instalação ‘Veio e Forma’ se deu na sombra da árvore numa tarde ensolarada, onde eu e mais de dez amigos da FAU compusemos o que veio a ser a forma final da instalação. O partido foi relacionar-se com a árvore. Todo o resto foi livre. Depois de uma leitura do texto de Buber, cada um subia ao encontro de um lugar a ser posto a peça. Imersos num diálogo espacial sensível e não calculado, a composição desconheceu um projeto A instalação esteve montada entre novembro e dezembro de 2018

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as gravuras

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